A carta que eu nunca enviei

terça-feira, 26 de junho de 2012 - 




stive pensando muito ultimamente, e conclui que isso não me fez muito bem. Lembrei que eu nunca te mandei uma carta e acho que apesar de estar sendo covarde em estar te escrevendo uma a essa altura da história, acho que não terei outra oportunidade. Sempre fui meio dramática então decidi lhe escrever esta carta. É covarde da minha parte, mas eu acho que não conseguiria dizer isso pessoalmente ou então perderia o folego. Nunca consegui compreender os sentimentos que tinha por você, mas era como se estivessemos conectadas de alguma forma. Mas agora eu me pergunto, de que valeu isso tudo afinal?

Não sei quando foi que o sentimento de amizade que eu sentia por você saiu do meu controle, mas eu só percebi quando fora tarde de mais e eu já estava completamente afundada nessa historia toda. Mas o que me dói mais é que foi um sentimento unilateral.

Eu não fazia ideia de que estava completamente apaixonada por você até você se afastar de mim naquela época. Depois daquilo, tudo em minha volta parecia completamente sem graça, o ar ao meu redor parecia pesado demais, nada tinha mais graça, tudo era vazio, sem cor. E eu só queria esquecer. Bloquear tudo aquilo da minha cabeça, eu não queria pensar mais. E eu chorei...chorei como nunca havia chorando antes. Até que você veio e me disse todas aquelas coisas pelo msn , dizendo que eu ficava diferente e que tinha me dado um ‘gelo’ pra me dar o troco. Eu não esqueci daquilo, e foi a atitude mais infantil que eu não esperava que você tivesse. Eu estava começando a ficar bem, e você apareceu novamente como um fantasma trazendo todo aquele vazio de volta, toda aquela solidão e eu não conseguia lidar com isso... e eu senti tanta saudade. E aí nos afastamos novamente...

E você apareceu aqui em casa com aquele seu maldito namorado pedindo desculpas e eu não consegui não dizer não. Depois disso foi pior, porque eu tinha certeza do que eu sentia não era só amizade, e eu fui obrigada a conviver com isso mais alguns meses.  Mas depois, eu não sei, tudo ficou tão estranho e acabou que nos afastamos novamente.

E eu fui na sua casa, com toda coragem eu não sei de onde saiu. Com o estomago quase nas costas e o coração batendo forte contra as costelas e eu chamei no seu portão. E eu queria dizer tudo que estava entalado dentro de mim durante tanto tempo. E por algum motivo idiota eu ainda tinha esperanças. Mas então você veio com a bomba de que iria se casar com ele e minha voz se calou e eu tive vontade de ir embora naquele momento sem dizer ao menos tchau. De tudo que havia passado pela minha cabeça, a opção de que ele estava morando com você era a ultima das ultimas. Eu não esperava isso...

Não preciso que me responda, não preciso que me procure. Eu só queria desabafar tudo isso que estava entalado dentro de mim e de alguma forma, desejo que um dia você leia isso.

Viver tem dias tão nublados quando a simples existencia nos doi nos ossos – vi essa frase em algum lugar e ela faz muito sentido, porque viver dói. Por vezes a estrada da vida é ingreme e esburacada, e por mais dificil que seja passar por esta parte deserta da estrada, espero que lá na frente haja uma bela paisagem a me esperar. Por vezes a vida nos reserva surpresas... Quando menos esperamos, por um motivo ou por outro somos confrontados com acontecimentos, encontros ou momentos de que não estamos preparados. Somos feitos de pó e poeira de estrelas e quando nos damos conta tudo se evapora e o medo chega sorrateiro, e nos faz parar. Fazendo tudo de mais importante combrir-se de poeira. Desaparecer. Apagar.

Espero que tenha encontrado o amor da sua vida, e desejo de todo o coração que seja realmente feliz.