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Quando ela me deixou

quinta-feira, 5 de julho de 2012 - 
uando Ela me deixou - essa frase ficou na minha cabeça, de dois jeitos - e depois que Ela me deixou. Sei que não é exatamente uma frase, só um começo de frase, mas foi o que ficou na minha cabeça. Eu pensava assim: quando Ela me deixou - e essa não-continuação era a única espécie de não continuação que vinha. Entre aquele quando e aquele depois, não havia nada mais na minha cabeça nem na minha vida além do espaço em branco deixado pela ausência dela, embora eu pudesse preenchê-lo - esse espaço branco sem ela - de muitas formas, tantas quantas quisesse, com palavras ou ações. Ou não-palavras e não-ações, porque o silêncio e a imobilidade foram dois dos jeitos menos dolorosos que encontrei, naquele tempo, para ocupar meus dias, meu apartamento, minha cama, meus passeios, meus jantares, meus pensamentos e todas essas outras coisas que formam uma vida com ou sem alguém como Miriã dentro dela.
Quando ela me deixou, eu fiquei muito tempo parada no meio do meu quarto, cerca de oito horas da noite, lembrando do que eu havia acabado de ler no computador. E lembro que pensei ‘agora o telefone vai tocar’, e o telefone não tocou, e depois de algum tempo em que o telefone não tocou, e podia ser qualquer um da agência ou Bianca minha vizinha ou minha mãe, convidando para sair pra comer alguma coisa, para não fazer nada, para ver um filme novo no cinema, pergunrando que tempo fazia ou qualquer coisa assim, então pensei ‘agora a campainha vai tocar’. Podiam ser Testemunhas de Jeová. Ou simples engano, podia ser. Mas a campainha também não tocou, e eu continuei por muito tempo sem salvação parada ali no centro do quarto que começava a ficar azulado pela noite, feito o interior de um aquário, sem fazer absolutamente nada além de respirar.
Depois que ela me deixou - não naquele momento exato em que estou ali parada, porque aquele momento exato é o momento-quando, não o momento-depois, e no momento-quando não acontece nada dentro dele, somente a ausência dela, igual a uma bolha de sabão redonda, luminosa, suspensa no ar, bem no centro do quarto, e dentro dessa bolha é que estou parada também, suspensa também, mas não luminosa, ao contrário, opaca, fosca, sem brilho e ainda vestida com a roupa do trabalho. Depois que ela me deixou, como ia dizendo, dei para beber, como é de praxe.
De todos aqueles dias seguintes, só guardei três gostos na boca - de vodca, de lágrima e de café. O de vodca, sem água nem limão ou suco de laranja, vodca pura, transparente, meio viscosa. O gosto de lágrimas chegava nas madrugadas, quando conseguia me arrastar da sala para o quarto e me jogava na cama, cujos lençóis não troquei durante muito tempo, e então me batia e gemia arranhando as paredes com as unhas, abraçava os travesseiros, e chorava e chorava e chorava até dormir sonos de pedra sem sonhos. O gosto de café sem açúcar acompanhava manhãs de ressaca e tardes na agência, entre textos de publicidade e sustos a cada vez que o telefone tocava. Porque no meio dos restos dos gostos de vodca, lágrima e café, entre as pontadas na cabeça, o nojo da boca do estômago e os olhos inchados, principalmente às sextas-feiras, pouco antes de desabarem sobre mim aqueles sábados e domingos nunca mais com Ela, vinha a certeza de que, de repente, bem normal, alguém diria telefone-para-você e do outro lado da linha aquela voz conhecida diria sinto-falta-quero-voltar. Isso nunca aconteceu.
O que começou a acontecer, no meio daquele ciclo do gosto de vodca, lágrima e café, foi mesmo o gosto de vômito na minha boca. Porque no meio daquele momento entre a vodca e a lágrima, em que me arrastava da sala para o quarto, acontecia às vezes de o pequeno corredor parecer enorme como o de um transatlântico em plena tempestade. Entre a sala e o quarto, em plena tempestade, oscilando no interior do transatlântico, eu não conseguia evitar de parar à porta do banheiro, no pequeno corredor que parecia enorme. Eu me ajoelhava com cuidado no chão, me abraçava na privada de louça amarela com muito cuidado, com tanto cuidado como se abraçasse o corpo ainda presente dela, guardava no bolso os óculos redondos de armação vermelhinha, enfiava devagar a ponta do dedo indicador cada vez mais fundo na garganta, até que quase toda a vodca, junto com uns restos de sanduíches que comera durante o dia, porque não conseguia engolir quase mais nada, naqueles dias, e o gosto dos muitos cigarros se derramassem misturados pela boca dentro do vaso de louça amarela que não era o corpo dela. Vomitava e vomitava de madrugada, abandonado no meio do deserto como um santo que Deus largou em plena penitência - e só sabia perguntar por que, por que, por que, meu Deus, me abandonaste? Nunca ouvi a resposta.
Um pouco depois desses dias que não consigo recordar direito - nem como foram, nem quantos foram, porque deles só ficou aquele gosto de vômito, misturados, no final daquela fase, ao gosto das pizzas, que costumava perdir por telefone, principalmente nos fins-de-sem ela, e que amanheciam abandonadas na mesa da sala aos sábados, domingos e segundas, entre cinzeiros cheios e guardanapos onde eu não conseguia decifrar as frases que escrevera na noite anterior, e provavelmente diziam banalidades, como volta-para-mim-Miria ou eu-não-consigo-viver-sem-você, palavras meio derretidas pelas manchas do vinho, pela gordura das pizzas -, depois daqueles dias começou o tempo em que eu queria matar ela dentro de tudo aquilo que era eu, e que incluía aquela cama, aquele quarto, aquela sala, aquela mesa, aquela casa, aquela vida que tinha se tornado a minha depois que Ela me deixou.


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Eu quero um amor que me consuma...

domingo, 1 de julho de 2012 - 
...eu quero paixão e aventura. E até um pouco de perigo.



lha, eu não quero uma vida planejada, um futuro certo, um destino predestinado. Eu quero correr riscos. Eu quero poder segurar em suas mãos, e fugir para o mais alto dos lugares. E junto a ti, me jogar em todos os lugares inexplorados da vida. Eu quero um amor desastrado e intenso, todo cheio de porquês. E acima de tudo, cheio de paixão. Porque de nada adiantaria te amar, se eu não tivesse os pensamentos mais selvagens ao seu respeito, e claro, a certeza de que iria realizar cada um deles. Contigo, eu quero me aventurar. Viver o mais intensamente possível. Fazer em um dia, o que muitas pessoas fazem em anos. Eu quero sempre te beijar com paixão, como se você fosse entrar pela minha garganta. E vou te abraçar até que você possa sentir cada batimento do coração, eles são teus. E vou te lembrar, todos os dias, não importa as circunstâncias, eu sempre vou te olhar e dizer o quanto eu te amo, o quanto a cada novo dia, você fica mais sexy. Não vamos enlouquecer com trabalho ou algo do tipo. Vamos nos amar, nos apaixonar a cada novo amanhecer. E cada dia contigo, será como o primeiro. Eu irei fazer de tudo para bagunçar sua mente. E tenho certeza que você me surpreenderá todas as vezes que eu te olhar. E sempre que possível, ou não, vamos esquecer tudo e partir pra uma aventura fantástica. Sei lá, vamos enfrentar nossos medos. Saltar de paraquedas, ou algo do tipo. Vamos fazer tantas coisas, e algumas eu nem posso citar aqui. Porque na verdade, o amor pra mim é isso. É o risco, a paixão... Todas essas coisas. Pois quando se trata de amor, a única certeza que temos, é que ele existe. Ele se renova a cada dia. No olhar, nas palavras, nos gestos, nas loucuras. E é assim que eu me sinto em relação a ti. Em uma loucura só. Em uma montanha russa que nunca irá parar de girar. Eu te amo, mas acima de tudo, eu sou apaixonada por você.

Paixões distantes

terça-feira, 26 de junho de 2012 - 


efinitivamente preciso fazer algo que irá me fazer feliz. Preciso de algo que me ocupe o tempo e a cabeça e que nao me faça pensar nela nas vinte e quatro horas do dia. Eu tento esquecer, tento me convencer que uma relação assim - unilateral- não é pra mim, e que nada vai dar certo se for assim. Mas algo em minha mente diz que ainda não acabou. Quando luto contra o outro lado da minha mente que diz que isso são apenas devaneios meus. Eu já não sei mais o que eu faço. Terminei com tudo e tento parar ao máximo de me iludir e parar de pensar, mas eu simplesmente não consigo. Como pude me apaixonar tão intensamente por alguem tão distante, por tanto tempo, e notavelmente alguem tão diferente de mim. Eu não posso mais suportar isso, quero que tudo isso acabe, mas eu sei como fazer parar. E no fundo, eu não sei se quero que isso pare. No fundo eu sinto que não acabou. Mas eu quero que acabe.

E no fim... eu não sei mais o que eu sinto, se é real, ou simplesmente eu quero sentir isso.

Por isso preciso de algo para ocupar minha cabeça, talvez essa paixão seja apenas... tempo vago demais. Sou uma pessoa carente, por isso me apego facil demais e me torno dependente demais, e depois pegajosa demais, e depois ciumenta demais, e piscopata demais, e eu faço tudo tornar-se chato e monotono demais. Tento mascarar humor com minha solidão e no final acho que eu só preciso de terapia novamente.

A carta que eu nunca enviei






stive pensando muito ultimamente, e conclui que isso não me fez muito bem. Lembrei que eu nunca te mandei uma carta e acho que apesar de estar sendo covarde em estar te escrevendo uma a essa altura da história, acho que não terei outra oportunidade. Sempre fui meio dramática então decidi lhe escrever esta carta. É covarde da minha parte, mas eu acho que não conseguiria dizer isso pessoalmente ou então perderia o folego. Nunca consegui compreender os sentimentos que tinha por você, mas era como se estivessemos conectadas de alguma forma. Mas agora eu me pergunto, de que valeu isso tudo afinal?

Não sei quando foi que o sentimento de amizade que eu sentia por você saiu do meu controle, mas eu só percebi quando fora tarde de mais e eu já estava completamente afundada nessa historia toda. Mas o que me dói mais é que foi um sentimento unilateral.

Eu não fazia ideia de que estava completamente apaixonada por você até você se afastar de mim naquela época. Depois daquilo, tudo em minha volta parecia completamente sem graça, o ar ao meu redor parecia pesado demais, nada tinha mais graça, tudo era vazio, sem cor. E eu só queria esquecer. Bloquear tudo aquilo da minha cabeça, eu não queria pensar mais. E eu chorei...chorei como nunca havia chorando antes. Até que você veio e me disse todas aquelas coisas pelo msn , dizendo que eu ficava diferente e que tinha me dado um ‘gelo’ pra me dar o troco. Eu não esqueci daquilo, e foi a atitude mais infantil que eu não esperava que você tivesse. Eu estava começando a ficar bem, e você apareceu novamente como um fantasma trazendo todo aquele vazio de volta, toda aquela solidão e eu não conseguia lidar com isso... e eu senti tanta saudade. E aí nos afastamos novamente...

E você apareceu aqui em casa com aquele seu maldito namorado pedindo desculpas e eu não consegui não dizer não. Depois disso foi pior, porque eu tinha certeza do que eu sentia não era só amizade, e eu fui obrigada a conviver com isso mais alguns meses.  Mas depois, eu não sei, tudo ficou tão estranho e acabou que nos afastamos novamente.

E eu fui na sua casa, com toda coragem eu não sei de onde saiu. Com o estomago quase nas costas e o coração batendo forte contra as costelas e eu chamei no seu portão. E eu queria dizer tudo que estava entalado dentro de mim durante tanto tempo. E por algum motivo idiota eu ainda tinha esperanças. Mas então você veio com a bomba de que iria se casar com ele e minha voz se calou e eu tive vontade de ir embora naquele momento sem dizer ao menos tchau. De tudo que havia passado pela minha cabeça, a opção de que ele estava morando com você era a ultima das ultimas. Eu não esperava isso...

Não preciso que me responda, não preciso que me procure. Eu só queria desabafar tudo isso que estava entalado dentro de mim e de alguma forma, desejo que um dia você leia isso.

Viver tem dias tão nublados quando a simples existencia nos doi nos ossos – vi essa frase em algum lugar e ela faz muito sentido, porque viver dói. Por vezes a estrada da vida é ingreme e esburacada, e por mais dificil que seja passar por esta parte deserta da estrada, espero que lá na frente haja uma bela paisagem a me esperar. Por vezes a vida nos reserva surpresas... Quando menos esperamos, por um motivo ou por outro somos confrontados com acontecimentos, encontros ou momentos de que não estamos preparados. Somos feitos de pó e poeira de estrelas e quando nos damos conta tudo se evapora e o medo chega sorrateiro, e nos faz parar. Fazendo tudo de mais importante combrir-se de poeira. Desaparecer. Apagar.

Espero que tenha encontrado o amor da sua vida, e desejo de todo o coração que seja realmente feliz. 

Uma Paixão

terça-feira, 22 de março de 2011 - 


De todos os animais que conhecemos, o cão é o que mais uniu a nós. Para o cão o tempo parou. A sua alma, incólume ao século nervoso das bombas atômicas e viagens interplanetárias, não conhece nem malícia nem falsidade. Com a mesma alegria natural, ele nos acompanha na chuva torrencial e no forte calor: sempre o amigo mais fiel do homem.